A MUDANÇA DO OUTRO

(artigo enviado para o jornal on line Curriculum.com)

Sempre que o assunto é mudança, ficamos logo interessados em saber como podemos administrar estas rápidas e nem sempre convenientes adaptações e ajustes no dia a dia do nosso trabalho. Não estou falando das mudanças na estrutura técnica do trabalho, que, sem dúvida são necessárias para o crescimento e desenvolvimento das organizações no mercado competitivo.

 Estou falando de mudanças de atitude, e quando se fala nisso, parece que é mais fácil pensar nas atitudes dos nossos colegas de trabalho, ou seja, nas atitudes do outro. Sabe aquela velha história de apontar um dedo para o outro e  quatro para si mesmo? Pois bem, aí está algo fácil de falar , porém difícil de fazer.

 Conseguimos encontrar justificativas, interpretações, racionalizações para as atitudes comportamentais que tomamos, que a princípio pode até nos levar a sentir uma ligeira culpa, do tipo: “eu não precisava ter falado neste tom...” ou  “acho que fui muito rude, intransigente...”. Todavia, quando não se faz uma parada mais demorada sobre estas reflexões, percorre-se um caminho aparentemente mais confortável: acusar o outro, em grau leve, moderado ou crônico: “ele me levou a isso”; ou então: “ele é uma pessoa muito difícil”; “por que ele não muda?”.

Ficar esperando a mudança do outro é o mesmo que esperar ganhar num sorteio: pode acontecer ou não. Quando isto vai acontecer, se é que vai acontecer? E enquanto não acontece, vamos deixar de ter paz no nosso ambiente de trabalho por que este outro,  que convivemos diariamente, não realiza uma mudança de atitude que talvez nem seja conveniente para ele, e sim para quem deseja a mudança?

Aprender a conviver com as pessoas como elas são faz parte de um programa pessoal de desenvolvimento da inteligência emocional. Isso não significa ser passivo, mas por outro lado, também não significa se isentar da responsabilidade de suas próprias ações. Então, se desistirmos de acusar o outro pelo que estamos sentindo, pelos erros e enganos que foram cometidos, pelos resultados não satisfatórios de nossos relacionamentos, podemos praticar o uso dos quatro dedos voltados para nós mesmos (a velha história...) e refletir:

·        Que tipo de comportamento eu estou tendo, que está convidando o outro a agir desta forma que não me agrada?

·        O que posso fazer para aceita-lo como ele realmente é, sem críticas e julgamentos?

·        Como posso conviver com as pessoas que me incomodam sem ficar esperando que elas mudem?

·        Como posso me responsabilizar por sentir o que eu sinto, sem acusar o outro pelo mal estar que sinto?

Se estivermos mais atentos às nossas próprias atitudes e abertos às mudanças, sem dúvida estaremos convidando o outro a fazer o mesmo. Você já viu alguém ficar parado numa esquina, quando toda uma multidão corre para a outra esquina, sorridente e feliz?

 Nem que for por curiosidade, pode acontecer com o outro, experimentar seguir um caminho diferente, um caminho de mudança de atitudes, quando isto acontece primeiro com você.

 Experimente. É difícil, mas não é impossível!

Kátia Ricardi de Abreu é Psicóloga (CRP 06/15951-5) Psicoterapeuta Analítica Transacional pela ALAT, Facilitadora e Escritora.

e-mail:katiaabr@terra.com.br.

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