Katia Ricardi de Abreu                                                                                                                     [ Voltar ]

Aos leitores

    Certo dia, passei por uma situação muito difícil, constrangedora, onde me senti muito mal. Foi muito duro para mim sentir fortes emoções e querer cumprir minha agenda, continuar o dia trabalhando com as emoções (também fortes) das pessoas. Pensei em cancelar todas as consultas. Porém, estava inconformada, queria elaborar as minhas emoções dentro de um tempo cronológico suficiente para que eu pudesse estar capacitada, inteira, para ouvir e falar profissionalmente com as pessoas que estavam esperando por mim. Então tive uma idéia: lancei mão de uma folha de papel, caneta e comecei a escrever, criando personagens e situações fictícias, sem me preocupar com os fatos que havia vivenciado. Saiu como uma bala de canhão. Eu me senti aliviada após ter escrito e voltei ao meu trabalho sem aquela angústia e profunda tristeza por tudo que havia acontecido. No dia seguinte, li para uma amiga, sem dizer a ela que havia sido escrito por mim. Quando terminei a leitura ela disse: " E depois? O que aconteceu? Leia mais...". Eu não havia escrito mais. Porém diante da reação de interesse e entusiasmo da minha amiga pela história, decidi naquele momento continuar dando asas para a minha imaginação. Eu não sabia ao certo qual seria a história. Queria apenas colocar no papel personagens comuns, porém especiais na capacidade de sentir e expressar sua emoções, sem medo de entrar na intimidade da alma. Queria escrever sobre relacionamentos, encontros e desencontros interpessoais. Queria dizer que sentir afeto, amar de maneira saudável é OK. E que não devemos desistir nunca da busca pelo amor, mesmo que tenhamos experiências dolorosas, pois elas sempre nos ensinam algo. E assim, estamos nos aperfeiçoando na nossa capacidade de amar, mesmo que não tenhamos encontrado a pessoa que quer receber o amor que queremos transmitir. Desde criança, sempre me interessei pelo comportamento das pessoas; observava a comunicação entre elas, o que um dizia e o que o outro entendia do que havia sido dito. Sempre gostei de facilitar para as pessoas se comunicarem de maneira saudável, a terem uma convivência mais feliz. Busquei através do curso de Psicologia e de tudo o que eu faço profissional e pessoalmente, me capacitar para isso. Coloco no meu trabalho, assim como coloquei nesse livro, muita energia, entusiasmo, seriedade, pois acredito que através do aprofundamento do conhecimento de si e do outro podemos construir um mundo melhor. Valorizar nossas emoções, entrar em contato com elas torna-se benéfico para si mesmo e para a humanidade. Quando temos como objetivo a expressão saúdavel dos nossos sentimentos temos uma qualidade de vida digna, prazerosa, agradável, edificante. A história de Maristela Amélia Barros não é a história de minha vida, mas assim como ela, mergulhar dentro de mim mesma tem me ajudado a desfrutar esta incrível experiência que é viver e conviver. Este livro foi um dos caminhos que encontrei para entrar na intimidade com minha própria alma. Espero que vocês gostem!

Kátia.

São José do Rio Preto, março de 2000

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Webmaster: Eduardo Casavella    Julho de 2000

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