Katia Ricardi de Abreu
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A entrevista a seguir foi publicada no Jornal Carreira & Sucesso - O Jornal
do Grupo Catho - 48ª edição.
NA INTIMIDADE DA ALMA
Autora: Kátia Ricardi de Abreu
Editora: Rio-pretense
Preço: R$10,00
(para adquirir, visite o site katiaricardi.vila.bol.com.br)
"Na intimidade da alma" é muito mais do que um romance. O
livro conta a história de Maristela Amélia Barros, uma mulher comum que vive em um
sítio com seus pais até o dia em que resolve ir para a cidade em busca de estudo e
trabalho. Maristela passa pelas dificuldades de conciliar estudo com trabalho e de entrar
no mercado em busca de uma oportunidade. No livro, a autora Kátia
Ricardi de Abreu fala sobre carreira,relacionamentos, encontros e desencontros.
Kátia é psicóloga, especialista em Análise Transacional e ministra cursos de
Crescimento Pessoal, Comunicação e Relacionamento Interpessoal e Qualidade Total.
C&S - Kátia, você exerce atividades como psicóloga já
faz quase vinte anos. O livro "Na intimidade da alma" é seu primeiro trabalho
como escritora?
Posso dizer que Na intimidade da alma é o meu primeiro livro publicado, mas não o
considero como meu primeiro trabalho como escritora porque sempre rabisquei textos. Sempre
gostei de escrever e já na escola participava de concursos de redação. Li clássicos da
literatura e na adolescência tinha o meu fiel amigo diário, onde exercitava escrever
sobre as minhas emoções, sentimentos e os conflitos típicos dessa fase. Como psicóloga
também sempre tive que escrever alguma coisa, laudos, avaliações psicológicas ou
relatórios. Sempre contribuo na imprensa com artigos de minha autoria sobre Psicologia e
comportamento humano. Acho que sou escritora desde menina.
C&S - E de onde veio a idéia de escrever esse seu primeiro
livro? É verdade que foi porque você pensava em como conciliar fortes emoções com
atividades profissionais?
A verdade é que esse trabalho não foi planejado, eu não pretendia
escrever um livro. Sempre pensei que para isso teria que me preparar muito tecnicamente e
nunca tinha tempo para parar, sentar e dizer: Hoje vou começar a escrever um livro.
Alguns capítulos surgiram da mesma forma que as páginas do meu diário de adolescente,
com a diferença de que escrevia uma história que não era minha.
Os textos eram fortes, sem nenhuma censura e sem nenhuma preocupação em agradar outras
pessoas, pois estava escrevendo para mim. Minha máxima pretensão era fazer uma cópia
para os meus familiares como recordação. Um dia resolvi ler um trecho do que escrevi
para uma amiga e a reação dela me surpreendeu. Ela quis saber mais sobre a história e
foi então que comecei a me dedicar mais, escrever nos finais de semana e chegava a ficar
até cansada emocionalmente com as fortes emoções da personagem Maristela. Já ouvi
muitos comentários de leitores que também se emocionam e choram em algumas passagens do
livro. Confesso que também chorei ao escrever alguns capítulos.
C&S - E do que o livro trata?
O livro conta a história de uma vencedora, uma pessoa que não abre
mão de ser feliz e não recusa convites que a vida lhe faz para entrar em contato com as
suas emoções e canalizar todo o seu potencial, sua energia para obter sucesso na
via sentimental e profissional. É a história de pessoas comuns mas especiais na forma de
se relacionar. O relacionamento interpessoal é uma temática que abordo bastante no
livro, tratando sobre o comportamento humano. Costumo dizer que é um livro de
motivação, quase uma auto-ajuda profissional e pessoal.
C&S - E quem é a personagem do livro, a Maristela?
Maristela Amélia Barros é uma mulher comum, que morava em um sítio com os pais e
resolve ir para a cidade em busca de estudo e trabalho. Seu jeito de ser e de agir
desperta muita inveja nas pessoas. Maristela usa tudo o que acontece na sua vida para
crescer e evoluir como pessoa e como profissional, e de babá se transforma em uma grande
advogada. É uma mulher com tendências a ficar sozinha, pois sua forma de amar a leva a
se interessar por uma pessoa que não consegue retribuir o seu afeto. Maristela procura a
ajuda de uma psicóloga que a leva a entrar na intimidade da sua alma e se abrir para um
amor saudável.
C&S - O título Na intimidade da alma vem dessa busca
então?
Sim. O título veio à minha cabeça numa noite em que perdi o sono pensando em como
entrar em contato com os seres humanos além do limite do meu consultório. Intimidade
significa estruturar o tempo de forma saudável, compartilhando,
desfrutando. É a mais arriscada e mais compensadora forma de estruturar o tempo. Já a
palavra alma eu a usei pensando em psiquê, e pensei tenho em comum com a Maristela o fato
de mergulhar dentro das minhas próprias emoções. Assim nasceu o título do
livro.
C&S - Aparentemente trata-se de um romance. Como o livro
pode ajudar quem busca aconselhamentos de carreira?
Para quem busca aconselhamentos de carreira o livro é um modelo
positivo de como conseguir ser bem sucedido por meio do auto-conhecimento. É o que a
Maristela faz. Ela não tem medo de entrar na intimidade da sua própria alma, ela busca o
desenvolvimento de suas capacidades em todos os sentidos. Muitos leitores me escrevem
dizendo que queriam ser como a Maristela e que vão fazer o possível para
conseguir isso. A Maristela desperta nos leitores um sentimento de credibilidade em si
mesmo, fé em si, capacidade de vencer na vid a pelo seu emprenho, sua dedicação,
disciplina, seriedade e responsabilidade.
C&S - E por isso você definiu a Maristela como vencedora no
começa da nossa conversa...
Exatamente. A Maristela é uma vencedora porque ela traça metas
alcançáveis para a sua vida e vai em busca de seus objetivos. Ela é vencedora porque
ela não dá atenção para as pessoas que não compartilham de uma vida saudável em
todos os sentidos, mesmo que para isso experimente sensações não muito boas. O afeto
que ela traz dentro de si, na intimidade da sua alma, é o grande impulsionador de suas
conquistas.
C&S - Como distinguir vencedores de perdedores?
Costumo dizer que as pessoas vencedoras são como as ondas do mar, ou
seja, fazem de cada recuo um novo ponto de partida. As ondas não batem nas rochas com
força, adquirindo um novo pulso em direção à praia incansavelmente? Então, os
vencedores são assim, nunca desistem e não ligam para os não que a vida fala.
Vencedores traçam metas possíveis, ponderam riscos, avaliam os pós e os contras
partindo em direção a um objetivo traçado. Já os perdedores não têm metas ou as
traçam mal. Pensam apenas nos prós ou apenas nos contras. Colocam a responsabilidade
usualmente em terceiros e esperam que alguém faça algo para facilitar seu caminho, que
os perdedores mal sabem qual é. O que eu acho mais grave, e que talvez seja o tema
central do meu próximo livro, é quando os perdedores querem destruir algum vencedor que
passa despreocupadamente pelo seu caminho, principalmente no ambiente de trabalho.
C&S - Os jovens usam muito a palavra vencedor quando falam
de carreira. No livro você coloca a dificuldade que a personagem tem de conciliar estudo
e trabalho e essa é a realidade da maioria dos jovens brasileiros. Como
você encara essa dupla função?
Os jovens que querem ser vencedores, a maioria, têm que abrir mão de
algumas coisas. Aproveitar a vida apenas, por exemplo, é uma opção, porém mais tarde
isso vai pesar de alguma forma. Tudo tem um preço, uma escolha. Existe sempre aquele
aluno que vai ficar ouvindo música escondido do professor dentro da sala de aula enquanto
o colega se esforça em aprender. O ideal é ponderar tudo na vida, até mesmo estudo e
trabalho. Percebo que os jovens muitas vezes se perdem no embalo do prazer e se esquecem
de planejar o que querem da vida, a médio e longo prazo.
C&S - A questão da vocação profissional e da batalha por
uma oportunidade de emprego também são assuntos abordados no livro?
Como eu trabalho com jovens que buscam orientação vocacional, não
pude evitar de colocar no livro a busca da personagem pela sua vocação. Também aparece
no livro a luta das pessoas que querem uma colocação no mercado de trabalho e ainda não
têm uma qualificação adequada. A Maristela consegue encarar realisticamente sua falta
de experiência e buscar formas de estar conquistando seu espaço, submetendo-se a uma
construção profissional progressiva. Muitas pessoas de recusam a isso e querem ou
começar lá em cima ou querem que alguém as carregue escada
acima.
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Julho de 2000
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