[ Voltar ]

 

PODEROSAS

(publicado no Diário da Região em 8/3/2002)



A luta iniciada em 195 d.C, na Grécia, quando as mulheres, que ocupavam posições semelhantes à dos escravos, começaram a exigir do Senado Romano o direito ao uso dos transportes públicos, tem evoluído através da história. A mulher que tinha como principal função reproduzir, cozinhar e tecer para a subsistência do homem, hoje pode faze-lo como opção, não mais por imposição cultural.


Por isso, é com orgulho que se comemora no mundo inteiro o Dia Internacional da Mulher em 8 de março, desde a 2ª Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em Nova York (1911) quando a alemã Clara Zetkin assim o sugeriu.


A desigualdade foi se tornando cada vez menor diante das conquistas que as mulheres, ao longo da história, foram realizando. Hoje, a humanidade pode desfrutar da interação equilibrada entre ambos os sexos. A mulher possui direitos garantidos e espaço na sociedade e no mundo corporativo, para não só se realizar profissionalmente, mas também para transitar facilmente no mercado em cargos de comando.


De acordo com pesquisa do Seade, no ano passado, cerca de 13,5% das companhias tinham mulheres na sua direção e planejamento. A presença da mulher em cargos de chefia aumentou em 30% nos últimos dois anos.


Em setores dos mais diversificados a mulher está presente. A superintendente da rede Citroën em São Paulo, Izaíra Correia, é a autora da idéia de criação de uma concessionária somente composta por mulheres, a Etoile, na zona sul de São Paulo.


Isentas do Serviço Militar de acordo com a Constituição Brasileira, a mulher está presente também nos quadros funcionais do exército. Em 1992, a Escola de Administração do Exército, em Salvador, Bahia, matriculou sua primeira turma de 49 mulheres que se formaram 1O Tenente do quadro complementar. Hoje, fazem parte do exército brasileiro 2.170 oficiais do sexo feminino. Com exceção da área de combate, não há restrições na carreira militar para as mulheres.


Está se tornando cada vez mais rara a hierarquia verticalizada, até mesmo dentro do lar, em função da postura participativa e cooperadora que a mulher está adquirindo. A versatilidade tem sido um exercício diário na dinâmica da casa, de tal forma que a mudança de hábitos tem gerado progressos em alguns segmentos do mercado. Por exemplo, os restaurantes self-service, as lavanderias, os cabeleireiros e manicures, cultura e escultura física, etc.


A participação da mulher na sociedade atual exige uma reflexão e mudança também nos valores e papéis sociais, onde o homem era considerado o provedor e responsável pela família. Laços emocionais e sentimentais fortes podem superar crises inevitáveis que podem desestabilizar as relações entre o casal, quando a mulher passa a ter uma ascensão profissional de destaque.
Em função de muitos casamentos não sobreviverem por esse e por outros motivos, dados da Dieese indicam que, em 1998, o Brasil contava com 31 milhões de trabalhadoras, o que correspondia a 41% da População Economicamente Ativa (PEA) e mais de ¼ das famílias do país eram chefiadas por mulheres.


Apesar de reconhecido, o poder feminino tem gerado conflitos entre mulheres e homens e até mesmo entre as próprias mulheres. Porém, nada que não possa ser resolvido com diálogo e paciência. Afinal, foi assim que as mulheres conseguiram ser tão poderosas!


Kátia Ricardi de Abreu
Psicóloga (CRP 06/15951-5), Analista Transacional Membro Certificado Clínico pela ALAT e Membro Clínico Didata em formação pela UNAT-Brasil , Escritora.


e-mail: katiaabr@terra.com.br