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A EMOÇÃO DO FUTEBOL SEM ÁLCOOL

(publicado no Diário da Região em 11/6/2002)



A Copa do Mundo, aguardada por milhões de brasileiros, já nos primeiros jogos, está sendo reveladora e surpreendente do ponto de vista psicológico e social.


Inquieta observadora do comportamento humano, confesso que senti uma alegria muito grande ao constatar que as pessoas estavam abastecendo suas geladeiras e mesas com pães, leite, desjejum dos mais diversos: do simples cafezinho preto aos mais sofisticados breakfasts matinais.


Ainda de pijama, neste último sábado, a emoção de cada gol do Brasil estava certamente sendo comemorada por muita gente, não só pelos gols, mas também por viverem uma Copa onde o uso abusivo de álcool não estaria causando danos antes, durante e após a partida.


Pelo contrário, em função dos abençoados fusos horários, era o show do esporte pelo esporte. Era o casamento feliz dos atletas exibindo performance saudável, com milhões de expectadores brasileiros diante da televisão simplesmente tomando café da manhã. Acredito que apenas os dependentes crônicos estavam no buteco ingerindo álcool na hora do jogo, pois estariam, mesmo não sendo dia de jogo.


As estatísticas poderão comprovar que as brigas e acidentes serão bem menores, comparado às demais Copas. Dentro de cada lar onde existe uma televisão, o jogo estará rolando com torcedores sóbrios; a emoção estará fluindo genuína, autêntica, mesmo que as comemorações se estendam durante o dia.


No último sábado em São José do Rio Preto, as pessoas puderam viver sem violência, sem tensão; puderam andar e passear pelas ruas após o jogo, sem euforia fabricada. Muitos aproveitaram para visitar a Bienal do Livro na praça cívica. Outros puderam trabalhar e produzir, de tal forma que, no final do campeonato mundial, com o Brasil ganhando ou não, os compromissos financeiros possam ser cumpridos.


A redução de danos psicológicos já se faz presente nos lares brasileiros. Com certeza, o desjejum ingerido durante os jogos, não causará os males que outrora pude compartilhar com muitas mães, esposas, crianças e chefes de família. Estes sofreram com as conseqüências das comemorações sob o efeito de substâncias psicoativas de forma abusiva.


Ingerido socialmente, o álcool não causa problemas. Porém, nesta Copa, a cafeína está ganhando de goleada.

Kátia Ricardi de Abreu
Psicóloga (CRP 06/15951-5), Analista Transacional Membro Certificado Clínico pela ALAT e Membro Clínico Didata em formação pela UNAT-Brasil , Escritora.

e-mail: katiaabr@terra.com.br